Contos Eróticos

Contos Eróticos reais

Lésbicas Amadoras Selvagens

O coração batia forte, muito forte. Ela sentia-o com a mesma intensidade com que sentira aqueles dentes. A dentada. Tudo começara aí, tinha a certeza. “Não acredito em bruxas, mas que as há, há!” Na agitação em que se encontrava, não precisava nem conseguiria longos raciocínios. A adrenalina dá-nos certezas, e ela sabia, intuitivamente.

No mês passado tinha ido visitar os pais, no interior. Viviam numa fazenda uns bons cinco quilómetros afastados da casa mais próxima, e muitos mais, sabia bem, da vila, o primeiro verdadeiro sinal de vida em comunidade. As noites de verão eram convidativas, e sem companhia resolveu vagabundear pelas redondezas. Não que não fosse uma mulher atraente, no sentido em que atraía as atenções dos homens à sua volta, mas porque simplesmente não havia viv’alma, ou melhor, “jov’alma” ao seu redor.

Apesar de não haver iluminação nas fazendas, exceptuando a que rodeava as habitações e a estrada, ela não tinha medo. Uma das coisas que mais gostava quando vinha “à terra”, era que o crime ainda não chegara aqui. Também pouco havia de valor para o justificar nas fazendas à volta, que se calhar por isso mesmo, ninguém chamava de quintas, apesar da extensão. Demasiado pomposo.

O único verdadeiro perigo de passear à noite fora das estradas era o de não ver o caminho. Podia tropeçar numa pedra ou na raiz de uma árvore e partir um pé, ou até cair numa vala ou poço. Não seria a primeira. Mas hoje a lua cheia brilhava no céu e iluminava os possíveis perigos do caminho. E também as belezas. Sempre fôra uma rapariga da cidade, mas amava este cantinho de paz, seu refúgio. A lua só não iluminou o verdadeiro perigo desta noite. No entanto, tinha sido avisada. Ouvira os longos e angustiantes uivos desde que perdera de vista as luzes da casa.

Ele estava emboscado atrás de um largo carvalho. Ela devia ter adivinhado, mas como podia? A única coisa que sabia era que se sentia aliviada por ter deixado de ouvir aqueles uivos enervantes. Mas ao abeirar-se do carvalho ouviu resfolegar. Pensou tratar-se de um cão, talvez até um javali perdido. Movida pela curiosidade, eterna inimiga da prudência, avançou para determinar a sua origem, e mesmo quando ia rodear o obstáculo para poder ver, viu. Ele. Aquilo. Não, era decididamente um ele.

Na verdade, ela não viu muito. Apenas uma massa escura, dentro da qual brilhavam dois globos brancos. E os dentes. Caninos afiados, longos. Os molares pareciam outras tantas presas animalescas. A melhor analogia teria sido uma serra, contida dentro de uma boca monstruosa. Uma serra afiada. Viva.

Ela viu-a bem. Era só o que conseguia ver enquanto lutava desesperada contra o seu assaltante. Aquele terrível reflexo do luar nas presas ameaçadoras. Era quase hipnótico. Mas ela era uma lutadora. E a certa altura teve a sua oportunidade.

Enquanto aquela boca resfolegava nos seus ouvidos, procurando feri-la, quem sabe devorá-la, pedaço por pedaço da sua carne quente e palpitante, ela sentiu as pernas livres. O monstro abrira-lhe as coxas de jovem enérgica e saudável para a imobilizar com o seu peso, o seu corpo. Mas libertou as coxas o tempo suficiente. Atirou o joelho para cima e atingiu algo suave, apesar de firme. O assaltante, surpreso, sentiu a agressão onde menos esperava. E acusou o toque. Com um golpe de coxas, atirou-o pelo ar. Não era leve, mas o golpe fora terrivelmente forte, desesperado.

Ele caiu e rebolou no chão em agonia, uivando fúria impotente. As mãos agarrando as virilhas revelaram que fôra atingido num ponto fraco. Impressionada com a forma como eliminara a ameaça, ela não se moveu. Os pés pregados na terra dura. Até ao novo ataque. Selvagem. O salto de um terrível predador, sem piedade. Ela levou um pé atrás. As pesadas botas de campo eram uma arma de respeito. E ela usou-as. Mas não antes de ser derrubada e sentir o braço dilacerado por aquela besta em fúria.

Desta vez atingiu-o pleno no rosto. Ele voltou a simplesmente não cair, rebolava em frustração e dor. Foi então que ela viu o sangue escuro. Não nele, todo o seu inimigo não passava de uma mancha escura. O sangue no seu braço. Irreal. Toda aquela quantidade de sangue se escoando do seu corpo e ela ainda mantinha a consciência. Olhou apavorada para o assaltante e viu sangue também nas únicas porções visíveis do seu corpo. Os olhos injectados e nos dentes. O monstro escorria sangue. Muito sangue. O sangue dela. Mas não sabia que tinha ganho a batalha. Estranhamente fugiu, num misto de cambalear com o galope enérgico de um animal carnívoro. E desapareceu no escuro, rosnando, envolto no mesmo mistério do seu aparecimento repentino.

Manteve-se imóvel, alerta. Esperava novo ataque. Mas não se repetiu. Até o resfolegar deixara de se ouvir. E ela aos poucos deixou de poder contar com a adrenalina para a manter de pé. Sentia as pernas bambas. Para evitar cair no chão e na inconsciência, forçou-se a andar. Apesar de lhe parecer arrastar-se vagarosamente, em pouco tempo já estava de volta, um caminho que lhe levara um bom par de horas no anterior passo descontraído de passeio.

Os pais assustaram-se quando a viram, uma mancha de sangue se alastrava do peito às ancas e ainda lhe cobria todo o braço. O ferimento devia ser horrível, mortal. Mas depois de lavada, resumia-se a duas marcas. Nem por isso menos assustador. Faltava um pedaço de carne do braço e do antebraço. Nada de muito fundo ou largo, mas mesmo assim alarmante. Principalmente quando, já depois do inicial curativo, já no hospital, o médico observava os ferimentos. Tinham ganho uma cor esbranquiçada. Mau augúrio. Sinal de infecção.

Agora, com o pulsar das artérias nos seus ouvidos… mais, sentindo por todo o corpo o bombear do sangue, tinha uma lembrança desses momentos. Não como uma memória. Mais como um sentido, uma intuição, algo mais primitivo.

A tensão acumulara-se para além do suportável. Ela sentiu a necessidade. Primitiva. As coxas tensas saltaram por vontade própria. Lançou-se com fúria para a frente. Não era nem bem uma corrida. Era um galgar. Como o dele.

Nos dias que se seguiram ao ataque, começou a sentir-se diferente. Estranha. Alerta. Demasiado viva, consciente do seu corpo. As feridas sararam mais rapidamente que imaginara. Até as cicatrizes se estavam a tornar imperceptíveis. A amiga comentou que o seu estado novo era natural. Tinham tentado fazer dela uma vítima, mas ela recusara. Lutara e ganhara. Ela quis acreditar. Mas sabia algo mais. Sentia algo mais. Surpreendia-se.

Um dia deu por si a farejar. Aquele odor atraía-a. Entrou no quarto da amiga e percebeu. Era o cheiro de um corpo. Quente. Suado. Intenso. Excitada… A amiga remexia-se num pesadelo e invadia-lhe as narinas. De repente percebeu. E fugiu, apavorada. Era o cheiro de um sexo de mulher. Húmido e excitante.

A tremer foi para o seu quarto. Masturbou-se freneticamente, com violência. Não era a primeira vez, mas não tinha o hábito. E nunca provocado por uma mulher. Nunca também com esta urgência. E pela primeira vez penetrando-se, com uma força quase dolorosa. Violentava o sexo com os dedos, e os dedos com o movimento das ancas.

Só na alvorada conseguiu o orgasmo. Forte. Violento. Mordeu uma mão com a boca, a outra com a vulva. E do fundo da garganta soltou um gemido rouco. Quase um uivo. Sentia agora o seu cheiro e sentiu-se aliviada. Não resistiu a lamber a mão, impregnada dos seus fluidos. Lambeu-a até conseguir na boca um sabor mais forte a sexo que na mão. Mas ainda não conseguiu dormir. Não enquanto a amiga não saísse de casa. Pela primeira vez teve medo de si própria.

A amiga, mal se levantara e vira que ela ainda dormia, preocupou-se. Normalmente ela já estaria de saída a esta hora. Ouviu a voz doce, sedutora, enervante, chamar o seu nome. Retraiu-se tensa na cama, fingindo dormir. Sabia que se a amiga a tocasse… nem podia pensar nisso sem os músculos se retesarem. Felizmente a outra desistiu. Passada uma hora ouviu com alívio o bater da porta da rua. Macerou uma última vez a vagina até ao esgotamento e dormiu.

Acordou à tarde pela primeira vez em anos. Desvairada de fome. Devorou o almoço. Quando acabou, o frigorífico estava quase vazio. Depois, a culpa. Faltara ao trabalho. E o medo. Devia estar doente. Nada disto era normal. Então porque se sentia cada vez mais viva? Ligou a televisão. Os sons e imagens incomodavam-na. Envolveu-se no silêncio, à espera. No sofá da sala. Pensando, mas não conseguindo reter um raciocínio.

De repente a porta abriu-se e ela soube por que esperava.

– Estás bem?

As narinas dilataram-se.

– Ainda estás de pijama? Faltaste ao trabalho?

Remexeu-se desconfortável no sofá. Fez uma expressão de incomodada com aquela presença. A amiga pareceu não notar.

– Estás doente? Deixa ver.

Acompanhou intensamente com o olhar a palma da mão estendida para a sua testa. Fechou os olhos relaxada ao seu doce contacto.

– Um bocadinho quente. Não devias estar assim, só de pijama… Fica aqui. Vou buscar-te um roupão. – a voz acalmava-lhe a perturbação.

Olhou agradecida quando a amiga a envolveu no roupão. Abraçou-a e sussurrou-lhe ao ouvido:

– Obrigada… já estou melhor.

Beijou-lhe o rosto, mas não como antes. Deu por si a repetir beijos, descer ao pescoço palpitante, ao seio que subia e descia, calma, pausada, hipnoticamente… De repente retraiu-se, envergonhada.

– Que foi? Que se passa contigo? – O tom de voz era o mesmo usado ara falar com uma criança, ou um animalzinho de estimação. Em resposta ao seu resmungo queixoso, a amiga tomou-lhe o rosto entre as mãos e deu-lhe um chochinho nos lábios. Ela quis-se aninhar naquele corpo quente. Mas a amiga levantou-se, aconchegou-lhe a roupa e foi-lhe preparar a sopa dos doentes.

Nessa noite deitou-se cedo. De novo, não conseguiu dormir. Perturbada, evitava masturbar-se, porque pensava na amiga. Quando percebeu que esfregava as coxas uma na outra, levantou-se, irritada. Deu por si emboscada no quarto da amiga. Lutando contra aquele desejo. Que aumentava, a ameaçava. E a impelia para aquele corpo. Dormia de barriga para baixo, coxas entreabertas. Só de cuequinhas.

Fugiu para o seu quarto e cedeu. Masturbava-se desesperadamente, permitindo-se fantasiar livremente com a amiga. Atingindo orgasmo em cima de orgasmo. Penetrando-se e fornicando os seus dedos. De coxas cerradas. Até à dor.

Na noite seguinte, o susto. A amiga percebera as suas noites inquietas. Só não sabia a razão. Nem como ela passava as horas da vigília. E agravou tudo. Convenceu-a a dormir naquele quarto impregnado com cheiros quentes. A princípio estava calma, só levemente perturbada, concentrada no carinho e não nas paixões. Fechou os olhos e aconchegou o rosto no colo doce. Mas não resistiu a esticar a língua.

A amiga sobressaltou-se ao contacto húmido no seu seio. Por momentos suspendeu a respiração e os afagos no seu cabelo. Ela então sentiu a invasão. Feromonas agressivas. Foi compulsivamente atraída para a fonte. Não deixou cair a cabeça. Atirou-a, com vontade… Mas assustou a presa. Sobressaltada com o ataque íntimo, tremeu e gemeu, tensa. E quebrou o feitiço. Mortificada, a predadora recuou num salto.

– Desculpa querida, acordei-te!

Cravou os olhos na amiga até compreender. Estava ilibada. Era tudo sono. O desejo, o ataque, a fuga e o choque. Recusou os braços que mais uma vez se abriam para ela e fugiu para o seu quarto, para a frenética fornicação solitária. E não soube que a amiga húmida, olhando para as manchas nas cuecas, percebeu que só a debaixo era sua. No monte de vénus havia saliva. E se na consciência não se permitiu, envolta no sono atingiu um prazer asfixiante.

Ela voltou a acordar tarde. Saciada a fome, já não tinha esperanças de acalmar a perturbação. Passou o dia a esfregar-se. Poderia ter-se percebido a marcar o território. Por isso, na casa de banho foi atraída para o cesto da roupa suja. Encontrou a cuequinha manchada. Sôfrega, levou-a ao nariz e inalou. Insatisfeita, levou-a à boca. Sugava-a e masturbava-se. Depois levou-a abaixo e introduziu-a na vulva, rosnando de excitação. Perdeu a voz e a força das pernas num orgasmo longo, agonizante. Só quando acabou de se sentir latejar, tomou consciência de si. Nua no chão da casa de banho, enrolada no seu corpo, as duas mãos no sexo, de onde saía parte da roupa interior da amiga. Aterrorizada, fugiu.

Errou pela noite, tentando cansar o corpo. De madrugada avistou um jovem. Movia-se num misto de marcha felina e descontraída. Repugnada e simultaneamente atraída, perseguiu-o durante o dia, mas não teve coragem de o seguir para dentro do prédio. Voltou para casa no fim da tarde.

Quando a amiga chegou, ela soube que teria de ser hoje. Ignorou as perguntas e os protestos. A outra parecia uma amante traída, e seria assim que a trataria. Reconquistando-a. Manipulando-a para satisfazer as suas necessidades.

Seguiu-a nos calcanhares por toda a casa. Enquanto se refrescava, trocava de roupa e cozinhava. Recusou ir para a cama porque sabia que a amiga queria que dormisse. Só não resistiu ao seu carinho. No sofá trocavam beijinhos e acariciavam a pele arrepiada. Poderiam ser mornos mimos fraternais, mas por que então se sentiam tão quentes?

O olhar da amiga era medo e excitação. Ela soube-se predadora. E atacou, forçando-lhe os lábios e penetrando aquela boca. Chupava-lhe a língua e amassava-lhe o corpo. Empurrou-a, deitou-se por cima dela e prendeu-a com o seu peso. Já não a beijava, lambia-lhe a boca. Sufocava-a. Até que foi repelida. Os protestos começaram débeis, mas depois foi socada nos ombros. Para trás. E viu-a sentar-se muito direita. No extremo do sofá.

Fitou a amiga em desafio. Pronta para atacar. Ouvia-lhe distintamente o troar do coração. Via-lhe o medo nos olhos. E cheirava a excitação. Continuou imóvel, hipnotizante ao ver as palmas das mãos estendidas. A amiga acariciou-lhe o rosto muito docemente, implorando ternura, porque iria ceder. Decidida, retribuía a ferocidade com a firmeza do seu olhar. Pegou-lhe na mão, levantou-se e conduziu-a para o seu quarto. Aquele, onde ela não conseguira mascarar a presença da outra fêmea com o cheiro do seu sexo. Ela ia atrás e seguia-lhe o movimento das ancas.

Pararam em frente à cama. A amiga segurava-lhe o rosto com uma mão, o polegar traçando as linhas da sua face. Aproximou os lábios. Seguiu-se um beijo, sem língua, de ternura. A amiga fechava os olhos e esborrachava os lábios. Ela permitiu-a continuar. Esperava. A amiga foi-se baixando, sentando-se aos pés da cama, conduzindo-a. Romântica, parecia estar vivendo uma antiga e trabalhada fantasia. O beijo não se interrompera. Ela não deixara, levando o pescoço à frente, a cabeça à altura dos ombros em atitude predadora. De repente surgiu a língua. Só a pontinha, dançando, procurando a humidade por dentro dos seus lábios. Titubeante. Sondando. Enervante. Até que não aguentou.

Abriu a boca e devorou a amiga, que recuava timidamente. Ela não tinha paciência para fantasias românticas. Queria carne. Agarrou-a pela nuca e forçou-se na sua boca. Deitou-se sobre ela e forçou-se no seu corpo. Mãos, seios, coxas. Então mordeu-lhe o lábio. E afastou-se, contemplando o fio de sangue. Fascinante. Irresistível. Lambeu-o dardejando a ponta da língua, tingindo os quatro lábios de vermelho.

Depois foi descendo, aos chupões. No lábio, no queixo, na curva do maxilar. Abocanhou um seio e o mamilo duro enervou-a. Apertava-o entre a língua e o céu da boca. Enlouquecia a amiga, que lhe beijava o cabelo e a testa, agora com mais paixão. E excitação. Ela sentiu aquela atracção animal irresistível. E sabia como aumentá-la. Descendo em chupões pelo corpo da amiga, deixando um rastro abundante de saliva fresca na pele quente e mordida.

Chegou ao monte de vénus e puxou um tufo de cabelos com os dentes, suavemente, só para causar um dorzinha excitante. Tentou lambuzar todo o monte, levando-se a si e à amiga à loucura. Mas não resistiu àquela vulva molhada em baixo. Rodeou o clítoris, primeiro com a língua, depois com os lábios, mas sem lhe tocar. A amiga já meneava as ancas, impaciente. E por fim mergulhou. Enterrou o nariz nos pêlos e chupou a vulva babada da amiga, que se contorceu em êxtase pela primeira vez. Quanto mais gozava, mais sumo produzia, mais desejo provocava de ser bebida…

Assim que a amiga se recompôs, sempre romântica, afagou o cabelo dela, pagando o delírio com carinho. Pensava que tudo tinha acabado. Mas mal começara. Ela agora só cheirava, saboreava aquele sexo. Nada mais havia. Era impossível despegar-se de lá.

Um fio de humidade corria por entre as coxas até ao ânus. Ela teve que recolher tudo, buscando com a ponta da língua o que escorrera para dentro do orifício apertado da amiga. Assim que lhe aflorou o botãozinho rosa, um arrepio desesperado percorreu todo aquele inebriante corpo. Necessitava de uma penetração.

Primeiro a língua endurecida. Se lhe tivessem falado antes em linguar um ânus, toda ela revolver-se-ia em asco, mas agora sugava-o com a mesma urgência que a uma vagina. Aquele anel piscava-lhe na língua, implorava por fornicação. Desflorou-a com um dedo enquanto se voltava a dedicar à vulva cada vez mais sumarenta. A amiga voltou a desmanchar-se em um gozo esgotante.

– Mais não, por favor… mais não…

Aquele corpo já pedia tréguas mas ela não parou de atacar. Sugava com voracidade. Penetrava já dois dedos, até ao fundo. Lambia-os quando os sentia secos, magoando a amiga, depois sentia-os através das mucosas, dentro daquele corpo que só não lhe fugia porque lhe abraçara o rabo com a mão livre, forçando a sua invasão.

Ela cada vez mais se irritava com aquele botãozinho de carne inchada que se lhe esfregava no rosto. Abocanhou-o, lambeu-o, chupou-o, mordeu. A amiga perdeu o ar, desesperada, abrindo e fechando as coxas, batendo as ancas no seu rosto… Até que parou. Estremecia mas não se conseguia mexer. Um orgasmo longo, louco, doloroso, assassino.

Ainda assim ela não parou. A amiga recuperou o fôlego para gritar, ainda com as últimas ondas de energia a pulsarem forte. Começou a gemer num queixume doloroso, a carne demasiado sensível. O contacto era já insuportável. Ela nem se dava conta. Ou não queria saber. Só sorver. A amiga precisou puxá-la por debaixo dos braços, afastá-la do seu sexo.

– Mais não, amor… – repetia – mais não!

Envolveram-se num beijo molhado de orgasmos. Ela queria continuar a sugar. Agora a boca sumarenta. Mas amiga foi descendo por baixo dela, beijando com muito amor. Mas também com tensão sexual. Queria retribuir tudo o que ela lhe fizera. Mas deteve-se chuchando o seu seio, como uma criança. E embalava-se para dormir! Ela não podia permitir isso. Não agora. Precisava de copular. Com força. Já!

Começou a esfregar o sexo nas coxas da amiga. Mole, não queria agir. Mas cedeu à sua necessidade, e timidamente tocou-lhe os lábios vaginais. Ela avançou com as ancas para ser penetrada. A amiga separou-lhe os lábios com dois dedos, a cabeça de um terceiro entrava na sua vulva. Não era o suficiente. Claramente.

Agarrou-lhe a mão e esticou-lhe três dedos. Fitaram-se por breves momentos, antes de se empalar, mordendo o lábio. Ela tinha uma necessidade violenta que a amiga não compreendia. Não estava preparada para fornicar. Queria fazer amor.

Sentada no punho firme, ela cavalgava energicamente. Queria sentir-se cheia, completamente penetrada. Esfregada ao limite do ardor. A amiga fitava-a chocada e ela lançava olhares animalescos de fêmea a ser saciada. A amiga concluiu que ela precisava de amor. E voltou a chuchar-lhe os seios, evitando aquele olhar que a atemorizava. Porque até ela própria começava a sentir os mesmos desejos.

Empalando-se até aos nós dos dedos da amiga, ela atingiu um orgasmo. Não o alívio, apenas uma sensação procurada, cada vez mais. Não mudou o ritmo. Parou enquanto sentia a descarga, e logo depois continuou, em ritmo diabólico. A amiga já não lhe conseguia segurar os seios com a boca. Então baixou-se. Depositou beijos no monte, no clítoris. Não na vulva, lá estavam enterrados os seus dedos.

 

O despertar do prazer

Camila tinha dezenove anos. Era alta, morena, com um corpo muito bem modelado, os cabelos loiros em tom mel, longos e sedosos, que desciam até a cintura. Olhos verdes, sombreados por longos cílios escuros, que iluminavam um rosto clássico, de traços suaves. Optara por uma blusa branca, jeans e botas de pelica. O cinto largo de couro, com acabamento metalizado em prata, dava-lhe um toque ao mesmo tempo sofisticado e rebelde.

Porém, naquele momento, na sala-de-estar do apartamento elegante e aconchegante de Helena, sua amiga, toda a atmosfera estava carregada. Haviam retornado de uma festa, na qual Camila teve que ser muito polida para se desvencilhar da insistência abusiva de um homem que se julgava um irresistível conquistador.

“Não quero vê-la falando novamente com aquele homem. Ele tem uma reputação lamentável com mulheres. A ex-esposa o acusa de ser violento,” exclamou Helena.

Aos quarenta anos, Helena tinha o tipo físico extremamente atraente. Cabelos negros, espessos, ondulados e brilhantes, pele clara e corpo curvilíneo. Uma combinação de sensualidade e charme. Ela optara por um vestido de seda leve, justo e de corte oblíquo. Tinha um decote discreto, mas à medida que se movia, o tecido colava sinuosamente em suas curvas.

O contraste entre Camila e Helena era marcante. E intrigante.

Camila e Helena haviam se conhecido através da Internet, em salas-de-bate-papo. Tornaram-se amigas virtuais, depois começaram a sair juntas. Apesar da diferença de idade, e do fato de uma, Camila, ser estudante e da outra, Helena, uma arquiteta bem sucedida e celebrada, a amizade cresceu e floresceu tornando uma amiga íntima da outra.

Pelo menos, até aquele momento. Pois havia muita eletricidade no ar e o clima estava tenso, explosivo.

“Helena, desculpa, mas percebo que sempre avalia negativamente os homens”, Camila especulou em voz alta. “Não é pelo fato do seu casamento ter fracassado, não deixando filhos, que os homens sejam todos meros aproveitadores.”

No íntimo, Camila estava atordoada. Como Helena podia imaginar que ela sequer contemplaria a idéia de se interessar por um homem tão viscoso e insolente como aquele da festa? Era um insulto que não estava preparada para engolir.

“Camila, você é jovem demais para entender as armadilhas desses indivíduos,” alertou Helena, por entre os dentes.

“Não sou criança, se quer saber,” Camila respirou fundo, jogando os cabelos para trás, com impaciência.

“Não é mesmo?” Furiosa, Helena a agarrou pelos ombros.

Os olhos castanhos faiscavam com a intensidade das emoções, e Camila percebeu que a situação escapava ao controle.

“Aquele sujeito é um animal! Vi com ele olhava para você!” Helena contraiu os olhos fitando Camila.

“Não fiz nada para chamar a atenção dele!” protestou Camila, mas sabia que as palavras não convenceriam Helena. Algo novo e desconhecido a dominava e a tornava excitantemente possessiva e selvagem.

“Não seja cínica!” A força das mãos esguias e bem tratadas de Helena aumentou sobre a pele delicada do ombro.

“O que está querendo dizer?,” sussurrou Camila, registrando que Helena estreitava a distância entre ambas, o seios começando a se apertar nos de Camila, o brilho no olhar cintilando significativamente.

“Como se você não tivesse idade suficiente para entender,” Helena sussurrou.

Camila ainda tentou protestar, mas de algum modo as palavras se perderam. Não porque Helena se recusasse a ouvir, mas porque perdia o comando dos próprios lábios.

“Será que é incapaz mesmo de entender?” Helena a aprisionou de tal forma entre os braços que seria impossível fugir. “Pode sentir o que sinto?” Passou os lábios sobre os dela, provocando, seduzindo, dando origem a uma torrente de sensações que Camila não estava pronta para experimentar. “Ou é uma menininha indefesa e frágil?”

Ela passou a assaltar seus lábios com a língua. Camila tentava desesperadamente mantê-los fechados, não podia acreditar no que Helena estava fazendo, o que pretendia? Não poderia ser verdade, não! Mas ela continuava provocando-a, umedecendo-lhe os lábios com a língua úmida e atrevida.

Camila ficou totalmente confusa, tal o efeito daquelas carícias incitantes. Sentiu o coração disparar, a garganta seca, o corpo trêmulo. Transtornada, lutou contra as sensações que experimentava, as quais não devia sentir. Não, não devia sentir aquela atração, advertiu a si mesma, em pânico. Não por uma mulher!

De qualquer maneira, Helena parecia determinada. Aumentou a intensidade, o ardor das carícias com a língua sobre os lábios de Camila. Até que esta gemeu e os entreabriu. Mas Helena não parecia satisfeita ainda.

“Eu sei que me deseja. Como a desejo,” sussurrou, a voz aveludada e rouca, ao ouvido de Camila. Depois, mordiscou o lóbulo da orelha e, ousada, lambeu-a sensualmente. Camila precisou juntar todas suas forças para não derreter de prazer. “O seu corpo quer a satisfação sexual que sempre sonhou, pelo qual anseia e arde.”

Camila estremeceu ao reconhecer a verdade do que ela sugeria. Compreendeu, como se despertasse de um sonho, que desejava-a como uma mulher deseja sua bem amada. Desejava Helena como amante, não apenas como parceira sexual, para satisfazer uma necessidade física. Mas poderia amá-la? Seria possível? Mas amava. Aquela amizade foi apenas o início da combustão lenta e excitante da fogueira gigantesca e maravilhosa da paixão e do amor.

Apaixonara-se por Helena, reconheceu, mas pensou nos pais, nos amigos e amigas, na diferença de idade e no preconceito que existe na sociedade. Arriscaria toda sua vida por amor?

“Solte-me, Helena,” Camila implorou, num sussuro que era mais de rendição do que de protesto.

Num movimento felino, Helena colocou uma das mãos na nunca de Camila. “Não até admitir que estou certa e que você me quer,” desafiou ela. “Ou será que vou ter que provar?”

Camila encolheu-se ao sentir a mistura perigosa e sufocante de medo e excitação. De revolta e submissão dócil e incondicional, que ardia dentro de si.

Hesitante, tentou formular a resposta certa, a única resposta sã e sensata que podia dar, mas percebeu que demorara demais quando Helena avisou:

“Você se arrisca, Camila.” Ela acariciou-lhe os seios viçosos e tentadores, o polegar estimulando os mamilos já rígidos. “Sei que me deseja, por que não reconhece essa verdade para si mesma? Afinal, sente isso no seu corpo, não? Sinta, agora, no meu!”

Camila apoiou-se em Helena, abalada pelo choque quando esta a obrigou a encaixar a mão entre suas coxas e tocar sua feminilidade, e sentir a umidade atravessando o tecido fino da calcinha de renda. Se ao menos encontrasse forças para remover a mão e afirmar que não desejava a intimidade que ela impunha… No entanto, para seu desespero, percebeu que era fraca demais, que não havia como deter o desejo. Não podia perder a oportunidade que Helena lhe dava para tocá-la, explorá-la, conhecê-la… Conhecer-lhe o sexo intumescido, úmido, pronto para o prazer sensual, ansiando por mais, ansiando por ela. Era adortoante.

Camila emitiu um gemido fraco, tremula de luxúria. O coração de Helena pulsava com tanta energia que ela quase sentia a pulsação dela dentro do seu corpo. Os seios tão juntos…Camila estremeceu de prazer.

Ela desejava Helena, sentia fome dela. Fechando os olhos, imaginou-se obedecendo a cada comando, cada pedido dela, como sua escrava sensual, aprisionada para sempre. Gemeu novamente, um som agudo e breve que fez Helena exigir seus lábios novamente. Ela grunhiu, enlouquecida, o que também excitou Camila, que manteve os lábios entreabertos, permitindo livre acesso da língua de Helena à sua boca, deixando-a tonta de prazer.

“Você me quer… Você precisa de mim,” Helena riu baixinho, sabendo que Camila se submetia aos seus comandos, mesmo contra a vontade, agora. “Diga que sim, diga.” A luz do olhar, da expressão de Helena era por demais exigente, sequiosa e triunfante. Uma felina gloriosa cercando sua presa, pronta para torná-la sua, impiedosamente.

Camila sentia as palavras de Helena contra a pele, aquele corpo quente, dominador. Seu próprio corpo se saturava de emoções intensas em resposta. Aquilo era novo demais, e ela não tinha defesas.

Família, amigos, preconceito, tudo, enfim, ia se esvanecendo. Nada era importante. Tudo e todos. Tudo do que ela precisava… Tudo o que ela queria… Tudo o que desejara um dia estava bem ali a seu alcance.

Com um novo gemido, estremeceu ao sentir Helena desabotoar os botões da sua blusa, presa de uma urgência irresistível e selvagem. Excitante, e incrivelmente feminina. Só uma mulher sabe amar plenamente outra mulher, uma verdade que Camila não podia negar, apenas render-se à ela, pois a intimidade do corpo de Helena contra o dela tirava-lhe a habilidade de pensar racionalmente. Não havia lugar para a razão naquele mundo novo que passava a habitar.

“Quero você… Quero fitar seus olhos enquanto faço amor com você,” sussurrou Helena, despindo Camila da sua blusa, abrindo o fecho do sutiã rapidamente e expondo-lhe os seios, já pesados e receptivos.

Camila teve vontade de chorar de prazer e medo, de emoção e loucura, quando percebeu que Helena a livrava das calças e da calcinha. Suspirou, entregando sua nudez a Helena. O que acontecia entre ambas era com certeza o auge de sua existência, o motivo por ter nascido. Ali, nos braços daquela mulher maravilhosa, amor e desejo se confluíam em perfeição.

“Você é minha, Camila.” Helena se despia sensualmente, o vestido caindo como uma poça entre seus pés. “Apenas minha,” o seu tom de voz era resoluto. “Repita!” ela comandou, estreitando o olhar. “Repita!”.

Que felicidade ser de alguém, viver para uma pessoa, poder sentir-se absolutamente vulnerável e fraca, sem qualquer defesa. Entrega incondicional, é isso que o amor sempre exige da mulher. E Camila obedeceu seu instinto mais profundo e feminino. “Sou sua, Helena. Apenas sua!”

Helena tomou a mão de Camila na sua e a conduziu até o quarto, amplo e arejado, que obedecia a uma decoração descontraída mas refinada, e a deitou sobre os lençóis de uma magnífica e fofa cama de casal.

“Me ame!,” suplicou Camila ao sentir o mamilo rígido sendo acariciado, saboreado, pelos lábios de Helena. Camila estremeceu de prazer e angustia, contorcendo-se.

“Não quero apressar nada,” Helena negou-se a atender a suplica dela. “Quero levar tempo necessário para saborear cada instante.” Enfatizou a decisão passando a mão no seio que acabara de sugar, voltando a atiçar o mamilo com o polegar.

“Eu a quero tanto, Helena,” sussurrou Camila, desesperada. “Eu a quero…” Deteve-se, a visão prejudicada por uma mistura de ansiedade e incerteza. Ouvia o alerta de perigo na própria voz.

Era tarde demais para voltar atrás. Helena se inclinou sobre ela, apoiando-se nos cotovelos, o corpo esguio e sedutor, aos quarenta anos, era uma mulher belíssima e estonteante.

“Onde você me quer, Camila? Diga-me… Mostre-me…”

Mas Helena já sabia a resposta, pois já levara a mão para junto da feminilidade de Camila, a qual acariciava lentamente.

“Não respondeu minha pergunta,” Helena insinuou, traçando círculos delicados de prazer. Camila cerrava os dentes, certa de que desmaiaria com o calor e o desejo que ela lhe despertava.

“Diga-me… Diga-me o que quer,” insistiu Helena, ponteando cada palavra com beijos provocantes sobre o clitóris quente e macio de Camila.

“Eu te quero,” respondeu excitada. “Eu te quero, Helena. Eu…” Camila estremeceu, incapaz de dizer mais, pois os beijos e a língua de Helena se tornaram possessivas e passionais. Quando ela introduziu dois dedos pelo sexo de Camila, esta gritou sensualmente, fechando os olhos.

“Olhe para mim,” ordenou Helena. “Olhe nos meus olhos”, os lábios e a língua explorando o centro do prazer de Camila.

Hesitante, ela obedeceu, deparando com um brilho de fogo no olhar de Helena.

Devagar e com ternura, Helena passou a acariciá-la, a afundar e emergir os dedos dentro da umidade de Camila, e o ritmo dos beijos era mais abrasador, mais íntimo, mais feminino, e dominador.

E Camila perdia-se nas profundezas… Num oceano de amor, apaixonada por Helena.

Subitamente, ela parou de excitá-la. Camila não sabia o que fazer. Sentiu medo de desapontá-la. Mas sabia que Helena era uma mulher amorosa e dedicada. Cuidaria dela e a protegeria, e ela podia fechar os olhos e deixar-se conduzir.

Não estava errada em confiar em seu instinto. Helena agora acariciava-lhe o corpo todo.

“Calma, menina, teremos todo tempo que quisermos,” ela determinou.

“Mas eu a quero demais, Helena,” Camila protestou.

“Faça o que quero,” sussurrou Helena, beijando o seio de Camila, as mãos, que deslizam e envolviam-lhe o corpo delicado, revelando sua urgência crescente.

Vou morrer de felicidade, Camila pensou para si. O ar entre elas parecia estalar com a intensidade da paixão que ambas sentiam, com a movimentação de seus corpos sincronizados, numa perfeição permitidas somente aos verdadeiros amantes.

Helena ajoelhou-se ao lado de Camila, posicionou o corpo entre as pernas dela. Passou a perna direita sob a coxa esquerda da outra, e a perna esquerda sobre a direita. Sorriu e estreitou os olhos, os quadris se aproximando, os sexos se encontrando.

Camila oferecia sua corpo ao beijo que jamais imaginara ser possível. Instintivamente, ergueu e abaixou os quadris para amoldar sua feminilidade à de Helena, para senti-la em toda a sua glória sensual. Helena emitiu um grito rouco quando seu clitóris tocou o de Camila, roçou pelo seu sexo túrgido e úmido. E Camila ficou tensa só por um instante, mas logo se entregou ao prazer das sensações novas que ia descobrindo.

Helena arqueava os quadris em movimentos rítmicos, apoiada nos cotovelos, lamentando não poder abraçar e beijar Camila, a posição não a permitia. No entanto, seus olhos se banqueteavam ao absorver toda a beleza do corpo gracioso e belo da amada, que se rendia ao poder da sua sensualidade.

E Camila, ao sentir a carne quente envolvendo e deslizando sobre seu sexo, pôs de lado todos os pudores, permitindo-se viver e se satisfazer com a dança primitiva dos sexos. Deliciava-se a cada contração involuntária dos seus músculos mais íntimos e secretos, e aprendia a se conhecer enquanto mulher.

“Assim, assim… Ai, ai, ai!,” ela gritou, temendo que seu coração e pulmões explodissem conforme um estremecimento magnífico a conduzia ao êxtase final.

Então, quando todo seu ser explodiu, vieram-lhe as lágrimas, dando-lhe uma radiância ainda mais frágil, e bela.

Alguém estremecia. Seria ela? Ou ambas? Camila perguntou-se a si mesma. Ouviu Helena gemer naqueles segundos finais incríveis, e gritar seu nome de uma forma que a deixou arrepiada.

Respirando fundo, ainda atordoada, Camila procurou os olhos de Helena. Um sorriso iluminava-lhe o rosto. Já não era mais uma adolescente. Mas uma mulher cujo corpo gozara satisfação sexual em toda a plenitude e agora, orgulhosamente, queria proclamar o fato ao mundo.

Mas não era só a sensualidade que a inebriava. O caminho que via à sua frente ultrapassava os seus mais audaciosos sonhos. Finalmente, conhecia o amor, e tinha segurança que um compromisso edificado sobre bases sólidas surgia entre ela e Helena.

“Preciso dizer uma coisa,” Helena deitava-se ao seu lado, os dedos deslizando pelos fios dos cabelos de Camila, num gesto terno. “Não vou abrir não de você, nunca”, ela declarou, como se pudesse ler-lhe os pensamentos. “Estou tentando dizer com palavras o que minhas emoções, meu coração, minha alma e meu corpo já declararam, minha amada, minha preciosa amada.”

Camila balançou a cabeça zonza, sem ousar acreditar no que ouvia. Seu coração palpitava tomado de alegria e excitação. A mensagem de Helena não poderia ser mais intima e distinta. Também queria estabelecer um comprimisso duradouro, eterno, com ela.

“Eu te amo!” confessou Camila, enlaçando o pescoço de Helena entre seus braços.

“Feia!” Helena riu. “Queria ter sido a primeira de nós duas a dizer essa frase: eu te amo!” Ela beijou Camila suavemente. “Te amo e para sempre vou te amar.” Finalizou ela, enquanto os corpos voltavam a reagir um ao outro, eroticamente.

É maravilhoso ser amada e poder construir um relacionamento com perspectiva de futuro, pensou Camila, mais tarde, o peito apertado, contemplando e vigiando o sono de Helena.

Ela decidiu passar a noite em claro, registrando na memória a imagem fabulosa da sua amada, para lembrar para sempre da sua primeira noite com ela. Seu coração batia compassado e forte. Sabia interiormente que ambas haviam descoberto uma estrela, que as conduziria à felicidade!

 

Tardes loucas de uma mulher casada

Olá, o meu nome é Dulce, tenho 36 anos e sou portuguesa.

Dei aulas de português durante doze anos, mas agora estou desempregada, tal como milhares de portugueses.

Desempregada! No dia que os resultados do concurso saíram, em agosto, e vi que não ficara colocada, fiquei para morrer; como iríamos dar a volta só com o vencimento do meu marido?

Nos dois meses seguintes, comecei à procura de trabalho nos classificados dos jornais, em sites online e em tudo quanto era empresa da minha região; e nada!

Uma amiga minha, editora freelancer, que mora em Lisboa, então propôs-me que viesse trabalhar com ela. Conhecemo-nos na faculdade, quando tirámos o curso, e ficámos as melhores amigas.

Ela, que começara a fazer aquilo como um part-time, mas desde que revira e editara a autobiografia dum jogador de futebol reformado, que mal sabia ler e fez dela um livro bastante agradável que teve um sucesso surpreendente de vendas, a editora passou a dar-lhe outros trabalhos. Só que a fama espalha-se e como ela nunca foi de deixara escapar oportunidades, aceitava outros textos de novos autores para rever. Por uma quantia mais ou menos significativa conforme o trabalho que fosse necessário, pegava no texto “cru”, analisava-o e depois dava-lhe a volta.

E já não conseguia dar conta do recado, por isso aqui estava eu. O primeiro que ela me passou foi muito fácil, era um livro que três irmãos escreveram para homenagear as bodas de ouro dos pais. Foi um teste. Ela confiava em mim, porque me conhecia e sabia que eu partilhava das suas visões e o resultado final era bastante similar ao que ela fazia. Ela gostou, os clientes adoraram e dos duzentos e cinquenta euros que ela cobrava, cinquenta foram para ela e o restante para mim.

Maravilha! Trabalhava a partir de casa, fazia o que gostava e ainda era paga. Muito bem paga por sinal!

A coisa foi correndo bem e no primeiro mês consegui ganhar mais do que ganhava no meu emprego. E então ela propôs-me um trabalho maior: um romance!

Aceitei o trabalho e recebi o original. Era a história real de Rosa, uma mulher que se redescobriu numa viagem interior pelo que mais a aquecia na cama.

Ela tinha-se apaixonado à primeira vista por um homem misterioso que vira uma só vez. Não lhe sabia sequer o nome, mas a partir desse dia nunca mais o conseguiu tirar da cabeça.

Ela percebeu que era um homem como ele que a fazia chegar aos píncaros do prazer, e não o banana do marido; separou-se e passou a, masturbando-se, viver as mais tórridas noites de prazer imaginando e relatando as mais fantásticas fantasias que eu alguma vez tinha tido conhecimento.

Conforme eu ia lendo, e me imaginava no seu lugar, foi ficando terrivelmente excitada. Vantagem de trabalhar em casa, estava com uma t-shirt velha do meu marido, comprida que em mim parece um vestido, e cuequinhas.

Eu sempre gostei de ler literatura erótica, mas nunca lera nada assim num romance. Era o mesmo erotismo forte de alguns, infelizmente poucos, contos eróticos que só se encontram online em sites especializados.

Fiquei em fogo! Não conseguia evitar, enquanto lia, sentir o mesmo que ela sentia enquanto fantasiava com aquele desconhecido, que como em toda a fantasia, era o mais perfeito Deus do sexo.

Já com a calcinha ensopada da minha excitação, não consegui evitar: puxei-a para baixo, até meio das minha coxas, e lentamente a princípio, comecei a tocar-me levemente enquanto, de olhos pegados no monitor sentia cada toque como o que lia que lha acontecia a ela na sua história. Vim-me rapidamente e pensava que, uma vez resolvido o assunto, podia voltar ao trabalho. Erro meu!

Aquele rápido e intenso orgasmo, em vez de me acalmar, ainda me incendiou mais!

Durante o resto do dia, por mais que me tentasse concentrar no que tinha a fazer, não consegui! Era simplesmente forte demais. Parecia que aquela mulher escrevera o livro dentro da minha cabeça, e cada situação que ela relatava era uma fantasia minha que eu desconhecia. Um dos personagens do romance era uma mulher que se vira envolvida pelo marido numa relação de cuckolding e a partir daí fiquei completamente descontrolada.

Fechava os olhos e via-me debaixo dum outro homem enquanto olhava nos olhos do meu marido, que deslumbrado via cada contração dos músculos do meu amante quando este se contorcia entre as minhas pernas abertas para o receber, quando ele se enterrava todo em mim. Sentia-me assada, dorida de tanto me esfregar, e nada me satisfazia. Fui ao quarto e da prateleira de cima do roupeiro, retirei a mala dos brinquedos que há muito não era desarrumada. Abri-a sobre a cama e salivei quando vi todos aqueles caralhos ali disponíveis, prontos e todos para mim.

Lembrei-me como o meu marido ficava alucinado quando os usava em mim. O seu preferido era um bem gordo, deliciosamente macio ao toque e comprido o suficiente para incomodar quando ele mo enfiava até ao saco se encostar nas bordas do meu rabo. Nem pensei duas vezes: seria esse mesmo o meu escolhido para a que foi a mais fantástica tarde de metição que eu alguma vez imaginei.

A ideia de outro homem a comer-me repetida e continuamente por horas e horas a fio, sem parar de se esporrar como um cavalo dentro de mim, deixava-me tresloucada, e eu imaginava a cara do meu maridinho, de boca seca e olhos bem abertos a ver tudo aquilo enquanto se fosse tocando e me desse o seu pinto à boca para me deixar saborear o seu leite morno de cada vez que se viesse, louco pela tesão de ver a sua mulherzinha a ser assim surrada sem parar por outro homem.

De cada vez que, de olhos fechados, via os seus olhos sentia-me iniciar nova espiral a pique que me levava à lua e para lá dela. Acabei por adormecer exausta.

Acordei com o chamado do meu marido quando entrou em casa. Peguei no dildo e enfiei-o debaixo da almofada mesmo a tempo de ele não o ver. Por sorte tinha deixado a mala do outro lado da cama. Ele ficou preocupado comigo, e eu não lhe consegui dizer o que se passara. Disse que tivera uma ligeira dor de cabeça mas que agora já passara.

Senti-me mal, por não lhe confessar. Mas era algo tão proibido, tão fora da nossa relação de amor sincero, que tive receio que ele pudesse entender mal e ficasse magoado comigo.

Mas ao mesmo tempo queria viver aquilo. Queria partilhar aquilo com ele. Agora percebia o que o levara, uns anos antes a comprar todos aqueles pintos falsos mas todos eles bem realistas, e a querer que eu os usasse para ter prazer e dar-lhe a ele o prazer de ver.

Teria que pensar bem em tudo aquilo, mas teria que meditar na melhor abordagem para aquilo que, tinha a certeza, seriam momentos de inesquecível prazer para nós dois.

***

Quando nos deitámos, e por mais que o meu marido me dissesse que estava cansado, eu simplesmente não quis saber.

“Amorzinho, eu quero-te!”

“Mas o que te deu hoje?”

“Nada. Estou excitada, deve ser por causa do texto que estou a analisar… toca-me e sente como eu estou!”

Quando ele me sentiu alagada nos meus fluídos espessos e viscosos, da minha tarde de suruba solitária, ficou doido. Quis ver mais de perto o que sentiu com os dedos. Desceu por dentro da cama, e eu — sabendo aonde ele ia, facilitei — abrindo bem as pernas. Quando ele me aproximou a cara da minha gruta, acomodou-se melhor como se me dissesse que não tinha intenção de ir a lado nenhum nos tempos mais próximos.

Primeiro cheirou-me, inspirando fundo o meu aroma de fêmea no cio. E eu imaginava como a mulher do texto que eu estava a trabalhar não se devia sentir ao dar a sua intimidade sagrada pelos votos conjugais, completamente arrombada e a vazar por fora de esporra farta e espessa do homem com que tinha passado a tarde num hotel de segunda categoria.

“Dulce?!”

“Sim amor?”

“Que se passa contigo? Que andaste a fazer esta tarde?”

“Porque perguntas?”

“Porque estás toda alargada e vermelha… como se tivesses passado a tarde inteira a foder…”

A voz dele tremeu-lhe quando o disse, mas ter tocado com a ponta da língua ao de leve no meu botãozinho completamente eriçado, assegurou-me de que não estava zangado. Arrisquei e desafiei-o.

“É mesmo amorzinho? E se tivesse? Se eu te dissesse que sim, que estive a tarde toda a transar, ficarias zangado?”

Aí fiquei realmente assustada. Ele parou e ficou a olhar para mim, tentando perceber o que se estava a passar. Puxei-o para mim, e os seus olhos deitavam fogo; mas o lume que lhe atiçava o seu mastro era ainda mais forte. Tentou evitar que eu lho sentisse, mas não conseguiu. Envolvi-o entre as minhas coxas e acomodei-me debaixo dele de modo a deixá-lo bem apontado à minha gruta dos prazeres que estava mais que pronta a recebê-lo. Quando assim o senti, empurrei-me contra o seu corpo e empalei-me toda até que só o seu saco ficou de fora, esparramado contra o meu ânus.

Ele fodeu-me com raiva. Veio com tudo o que tinha para dar. Pela sua cara parecia que estava rachar um tronco, enquanto me tentava rachar ao meio. Tentou a todo o custo tirar-me a cara de prazer sem limites que eu tinha por estar a ser assim tão bem metida. Ferrou-me os dentes no pescoço e fez-me vir com um berro que se deve ter ouvido ao fundo da rua. Aposto que todos os vizinhos ouviram.

Mas eu queria mais. Queria que ele se viesse com todo aquele tesão, como nunca lhe tinha sentido. Após ter-me vindo, fiquei ainda mais excitada. E aticei-o.

“Ai amor, assim matas-me de prazer. Todo esse tesão é porquê?” como ele não respondeu, continuei. “É por aquilo que te disse? É pela ideia de que eu possa ter estado com outro? Outro homem que passou a tarde a comer-me? À tua mulherzinha? É?”

Se não tinha respondido, aí é que não podia ter respondido mesmo; com uma última estocada que o levou mais fundo no meu corpo onde nunca fora antes, enterrou-se todo e parou: veio-se numa, e noutra, e noutra e ainda numa outra contração daquela que foi de longe a mais violenta ejaculação desde que estávamos juntos. Deve ter-se vindo meio litro de esporra dentro de mim.

Quando acalmou, tentou sair de mim, mas não deixei. Sussurrei-lhe ao ouvido:

“Eu amo-te. Nunca estaria com outro homem, e tu sabe-lo bem.”

“Eu também te amo…”

“Meu Deus! Tu ficaste louco, foi por aquilo que eu te disse?”

“N..não, não sei… talvez. Foi forte! Imaginar outro homem contigo magoou-me. Foi como um ferro em brasa dentro da minha mente.”

“Mas deixou-te assim como te deixou…”

“Mas onde foste buscar essa ideia?”

“É do texto que eu estou a trabalhar. Lê-lo deixou-me assim.”

Contei-lhe por alto a história e ele ficou curioso. Perguntou-me se eu estava assim tão alargada só da excitação e a aflição tirou-me o ar do peito; eu tinha que lhe contar.

“Não. Eu estava tão excitada que me masturbei; mas ainda foi pior. Eu precisava, precisava demais de me sentir bem comida, e fui buscar a nossa mala. Eu não estava em mim, de tão excitada que aquela história me deixou.”

“A mala? Mas tu nunca achaste grande graça aos brinquedos…”

“Nunca. E nunca pensei vir a fazê-lo. Mas como a R diz no seu livro, nunca se deve dizer nunca…”

“E como foi? Qual usaste?”

“O grande… aquele que me deixava desconfortável, mas que hoje, como eu estava foi o melhor que tu podias ter comprado para mim.”

Aí ele já estava pronto para me devastar novamente. Veio para cima de mim, e preparava-se para me penetrar quando eu o fiz parar. Pedi-lhe para me dar prazer com a boca; eu queria sentir a sua língua na minha vagina a transbordar de esporra. Ele engoliu em seco, mas mostrou-me como um homem faz o que um homem tem que fazer. Desceu por mim e recomeçou o que tinha deixado a meio antes de me ter arruinado as bordas da minha xavasca minutos antes.

Minha Nossa Senhora Dos Céus e dos Altares!

A sua fome assegurou-me de que aquilo era uma fantasia sua também. Não mo disse, mas também não precisou. Eu conhecia-o bem demais para saber que aquele caminho nos levaria por viagens intermináveis de prazer e tesão. Fez-me vir um sem número de vezes antes de, por fim, se ter arrastado para onde estava quando lhe pedi aquela incursão a sul: entre as minha pernas, e onde se enterrou — louco pela sensação que eu lhe proporcionei de tão aberta e esporrada que estava.

A sua boca, lábios e cara estavam recobertas dos nossos sumos de prazer, e ele partilhou-os comigo. Viemo-nos os dois ao mesmo tempo, e ficámos a olhar um para o outro; a ver o quanto aquilo nos tinha aproximado — ainda mais do que sempre fomos — e dado a certeza de que o nosso amor é à prova de tudo!

(continua)

***

No dia seguinte, pela primeira vez em muito tempo, acordei depois da hora. Foi um acordar lento, sentia-me dorida, mas a cada vez que me contraía e sentia toada a esporra com que o meu marido me tinha enchido na noite anterior, sentia um prazer indescritível.

Estava deitada de barriga para baixo, e deslizei uma mão entre mim e a cama até que me senti. Não admirava que me sentisse dorida, senti-me toda escachada, inchada de tanto ter dado nas últimas vinte e quatro horas. Estava toda encharcada e lembrei-me do que a língua do meu marido me tinha feito sentir.

Piorou!

Toquei-me com os meus dedos imaginando que era ele. Novamente, imagens do que imaginara ao ler o texto da R me assaltaram brutalmente. Eu estava a ficar doida. Eu queria aquilo, aquele sabor proibido, e queria muito!

Não aguentei mais e estiquei-me até à mesinha de cabeceira. Tinha lá enfiado o dildo na noite anterior e de olhos fechados, senti-o na minha mão. Nem de perto o conseguia abraçar com os dedos. Imaginei como o meu marido me teria sentido inevitavelmente alargada depois duma tarde inteira com aquele bacamarte enterrado até aos tomates que lhe serviam de base. Trouxe-o até à boca e lambi-o. Ainda sabia a mim, aquele sabor inconfundível a cona, e fez-me suspirar de desejo.

Sempre sem abrir os olhos, coloquei uma almofada debaixo de mim ficando com o rabo bem espetado no ar. Queria senti-lo assim a escorregar lentamente entre os meus lábios gulosos. Aproveitado o néctar de macho que ainda tinha dentro de mim, que eu sentira ser injetado direto dos colhões do meu maridinho, apontei-o e fi-lo entrar em mim até que a cabeçorra me fez suspirar quando me empurrou o cérvix, e forcei-o ainda mais um pouco: eu queria sentir o contacto dos tomates pesados da base a assegurar-me que o tinha todo metido, quando me tocaram nas bordas bem esticadas à volta daquele quilo e meio de prazer carnal — ainda que fosse a fingir!

Assim como estava, de rabo espetado no ar, imaginei o desvario de qualquer homem à face da terra, se me apanhasse. Experimentei larga-lo e a gravidade encarregou-se de o manter bem plantado sem sair. Nesta altura, a minha mão esquerda apalpava-me a mama esquerda e beliscava-me o mamilo com força. A outra, cheia dos líquidos que me deixavam assim molhada, trouxe-a à boca e esfreguei-a nos lábios. Enfiei primeiro um e depois dois, três dedos na boca e chupei-os como se fosse um outro caralho. Arrepiei-me de tesão imaginando que fosse o do meu marido doido de tesão por ver outro homem agarrado aos meus quadris, a mandar ver como se deve foder uma mulher doida por levar com ele como eu estava. vim-me como uma puta alucinada e valeu-me a almofada para me abafar os gemidos roucos que aquele homem imaginário e afortunado me provocaria. Estava exausta novamente quando me deixei ficar com o brinquedo enterrado até às bolas, e adormeci novamente, com a certeza de que estava efetivamente a ficar doida com aquele livro.

***

Sempre sem abrir os olhos, coloquei uma almofada debaixo de mim, que me deixou com o rabo bem espetado no ar. Queria senti-lo assim a escorregar lentamente entre os meus lábios gulosos. Aproveitado o néctar de macho que ainda tinha dentro de mim, que eu sentira ser injetado direto dos colhões do meu maridinho, apontei-o e fi-lo entrar em mim até que a cabeçorra me fez suspirar quando me empurrou o cérvix, e forcei-o ainda mais um pouco: eu queria sentir o contacto pesado dos tomates da base a abafar-me o clitóris.

Nada como essa sensação para me assegurar que o tinha deliciosamente metido! Quando lhes senti o toque nas bordas da minha vagina, bem esticadas à volta daquele quilo e meio de prazer carnal — ainda que fosse a fingir — deixei-me ficar o mais imóvel que a minha respiração descompassada me permitia!

Estava em comunhão com A entidade suprema; Aquele a Quem normalmente chamam de Deus. Estava finalmente em Zen. Podia continuar mas acredito que já me terão entendido. Percebi então o êxtase visível na cara das mulheres que se entregam ao fisting; ao prazer simplesmente tão intenso da extrema dilatação.

Se melhor não soubesse da espantosa elasticidade e capacidade de recuperação duma vagina, e teria certa a minha permanente e irreversível destruição como mulher para que homem fosse que de futuro me penetrasse. Mas a ideia, só por si, era arrasadora.

Tive receio, não do que podia acontecer, mas por me conhecer demasiadamente bem para ter a certeza de que o experimentaria: tocar-me lenta e saborosamente no clitóris e nos lábios a toda a volta daquele cavalar objeto de delírio que a gravidade me ajudava a engolir até mais não poder entrar.

Foi um orgasmo diferente. Quando digo diferente é porque foi incomparável com qualquer outro que em mais de vinte anos de sexo a solo ou acompanhada alguma vez experimentara. Comecei a senti-lo formar-se nos confins da minha mente pelo proibido do que estava a fazer, pelo risco de me lesionar, pela dor para lá do subtil, que implacável, tanto me empurrou para o abismo. Foi com uma série de beliscões ora num ora noutro mamilo, magistralmente sincronizados com os leves mas insistentes toques no meu clitóris obscenamente ereto que me deixei cair numa sucessão de orgasmos que me devastaram o corpo completamente deixando-me num farrapo.

No meio do turbilhão, naquele transe em que mergulhei e parecia eternamente aprisionada, visões da cena dos cavalos que a Rosa descrevera: de alguma forma senti-me como aquela égua bestialmente montada pelo garanhão que com o seu membro do comprimento, e grossura, do braço dum homem a emprenhara.

A falta da voluptuosa sensação de peso, que teria tornado aquele perfeito momento sublime, foi a última coisa de que me lembro antes de me ter apagado.

Voltei a mim minutos depois, com a perda de sentidos o dildo escorregara para fora e sentia-o encostado ao meu rabo. Mexi-me lentamente e rebolei, ficando de lado. Não me conseguia decidir se seria melhor enrolar-me em posição fetal, se com as pernas esticadas.

De cada vez que tentava mexer um músculo, toda eu tremia, e lá consegui encontrar uma posição meio-termo entre uma e outra que me permitiu recuperar daquele inesquecível orgasmo.

E era oficial. Nunca o reconheceria a mais ninguém, mas estava efetivamente doida. Tinha ensandecido, e não havia volta a dar.

Aquele Ribatejo Ardente era a mais potente das drogas para os mais exigentes viciados em erotismo.

E eu estava a ficar dependente! Dependente não, que é coisa de gente fina; eu estava mesmo era a ficar agarrada!

***

Com a libido apaziguada e as carnes doridas, a razão pôde enfim sobressair e deixar o bom senso governar um pouco. Levantei-me, esqueci por um dia a necessidade de economizar em tudo a toda a hora e enchi a banheira. Precisava dum longo e temperador banho de imersão, que se revelaria milagroso.

Depois do almoço, uma salada rápida, agarrei-me ao trabalho. Desta vez consegui abstrair-me o suficiente do conteúdo e focar-me na forma. Não foi propriamente fácil ”apanhar” o estilo por vezes confusamente embrenhado da Rosa, que para chegar dois metros ao lado de onde estava, levava o leitor a dar uma volta à Europa passando pela Ásia e visitando a Oceânia.

A minha primeira reação foi de cortar, mas tudo o que lá estava fazia falta — mais cedo ou mais tarde. Resumindo e baralhando, a tarde lá se passou sem que eu me tivesse portado mal.

Quando o Nando chegou, e animado pela noite anterior, mostrou como estava desejoso de, o mais rapidamente me apanhar novamente na cama. Eu não lhe podia espetar novamente com a batida desculpa da dor de cabeça!

 

Noite com a amiga putinha
Acordei de manhã com aquele frio desgraçado de 8°C, por mais que eu goste de um friozinho, não era conveniente naquele momento, pois levantar cedo num clima desses, ainda mais em uma sexta feira, realmente, é impossível.

Como a porta começava a abrir, cada centímetro significava mais medo, minha consciência novamente voltava com força total, em alguns milésimos de segundos já tinha imaginado todas as brigas e a tristezas que viriam em seguir. Muito esforço, consegui levantar, tomei um banho quente, tomei café da manhã e fui direto trabalhar. O dia foi bem tranquilo, passou muito rápido e no meio da tarde, recebi o convite de uma amiga muito íntima (e bota íntima nisso) para passar a noite comigo, vendo séries, filmes, comendo besteiras e afins.

Eu, de prontidão, aceitei na hora, eu sabia as reais intenções dela. Giovana já era minha faz há muito tempo, já transamos inúmeras vezes nesses finais de semana sozinhas. Quando cheguei em casa, dei uma geral na casa, preparei alguns petiscos e fui tomar um banho, me produzir e ficar lisinha e cheirosinha pra gozar muito.

Não deu muito tempo e a Gi bateu na porta de casa, eu a recebi com um beijo de língua, que fez ela largar as sacolas que estava carregando e se envolver inteiramente no beijo, com pegadas na minha bunda e nos meus seios. O meio das minhas pernas já estava pegando fogo, mas ainda era muito cedo pra festinha começar, eu interrompi a pegação quentíssima e fui para a cozinha.

Peguei o que tinha preparado e fomos pra sala, e começamos a ver os filmes que ela tinha trazido. Nessa altura, já havíamos assisto 2 dos filmes que ela trouxe, remexi na sacola pra procurar mais um e me excitei na hora ao ver um DVD pornô de lésbica.

– Você nunca me decepciona Gi!!

Falei dando um beijo nela e correndo pra colocar o filme com o rabo todo empinado só pra provocá-la. Me sentei ao lado dela já preparada pra gozar igual uma puta, a primeira cena era de duas mulheres de lingerie, uma loirinha baixinha e a outra moreninha. Eu já estava com a mão acariciando a buceta quando os beijos no filme começaram.

Me masturbei na frente da Gi, olhando pra ela, e ela selvagemente, veio pra cima de mim, os beijos já me faziam explodir de tesão, ainda mais com a boca dela percorrendo meu corpo todo até chegar na minha buceta já toda melada, ela abocanhou e eu só conseguia gemer, contraindo todo meu corpo no mais perfeito prazer.

Eu forçava sua boca contra minha buceta e gemia mais ainda, e coincidentemente, no filme, a loirinha estava lambendo a buceta e o cuzinho da morena, vendo aquela cena, me contorci toda num orgasmo delicioso. Foi tão intenso que até perdi o senso de realidade por um instante. Conforme fui me recuperando, vi a Gi se despindo por completo e ficando de quatro, abrindo a bunda revelando seu cuzinho e sua buceta que escorria de tesão.

Não perdi tempo e cai de boca nos buracos sensuais dela, seu cuzinho contraia a cada lambida, e sua xoxota lubrificava mais ainda quando eu enfiava minha língua nela, a vadia se contorcia toda e o gozo dela sincronizou com o orgasmo da loirinha do filme. Por fim, nada melhor do que compartilhar o gosto da buceta de cada uma num beijo de língua, deitamos no sofá, acabadas e ofegantes, e claro que teve mais uma fodinha antes de cairmos no sono…

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